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Veto da União Europeia contra carne brasileira vira problema para famoso embutido italiano

Por:Fabio Botto

A decisão da União Europeia de suspender as importações de carne bovina do Brasil, em vigor desde 3 de setembro, acendeu um alerta em Valtellina, vale situado na região da Lombardia, norte da Itália.

É de lá que sai a bresaola, embutido de carne bovina curada e maturada que tem Indicação Geográfica Protegida (IGP) e que depende fortemente da matéria-prima brasileira.

O paradoxo é explicado pelo regulamento do produto, que exige que a produção seja realizada na província de Sondrio, mas não que a carne seja italiana. Hoje, segundo o consórcio de produtores de bresaola, citado pelo site Il Post, 82% da matéria-prima usada no embutido chega da América do Sul, e 60% é proveniente do Brasil.

“O bloqueio vai retirar de imediato pelo menos 25% da matéria-prima de que precisamos”, afirmou Mario Moro, presidente do Consorzio di Tutela Bresaola della Valtellina, ao jornal Il Sole 24 Ore.

A associação reúne 13 empresas e cerca de 1,5 mil trabalhadores. Em 2025, o consórcio produziu 11,9 mil toneladas de bresaola, com valor estimado em 502 milhões de euros (R$ 3 bilhões).

O problema começou quando a UE anunciou a criação de uma lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal com base no cumprimento de regras sobre antimicrobianos e antibióticos. O Brasil ficou fora da relação, que passou a valer em setembro e atinge carne bovina, de frango, equina, ovos e mel.

Desde o anúncio, o preço da carne bovina usada na bresaola subiu 15%, e as empresas tentaram formar estoques de segurança, mas a medida teve efeito limitado. Segundo Moro, os produtores têm reservas para apenas dois ou três meses.

Argentina, Paraguai e Uruguai estão em conformidade com as regras europeias, mas a capacidade de oferta é limitada e não cobre a demanda italiana no curto prazo.

Segundo a UE, a suspensão será revogada somente quando o Brasil demonstrar controles adequados sobre o uso de antimicrobianos e antibióticos na criação de gado, e o prazo para a retomada das exportações é incerto.

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