Disfida de Barletta: a história de um dos últimos duelos medievais da Italia
Prepare-se para conhecer e reviver a história de um dos últimos torneios medievais da Itália: a chamada Disfida di Barletta. Imagine fazer uma viagem no túnel do tempo diretamente para o ano de 1503. O Brasil tinha acabado de ser descoberto por Pedro Álvares Cabral e a Italia ainda não se chamava oficialmente Italia. Naquela época os governos da França e da Espanha disputavam o controle do sul da Itália. E foi na cidade de Barletta, em um território hoje conhecido como Puglia Imperiale, no estado de Apúlia, que aconteceu a famosa “Disfida” (que em português poderia ser traduzido como um duelo medieval).

Durante minha viagem para Barletta entre 9 e 14 de fevereiro de 2018 para participar do tour Educational “Viaggio nei luoghi della Disfida” financiado pela Regione Puglia (P.O.R. Puglia FESR-FSE 2014/2010 – Azione 6.8) que aconteceu em ocasião do 515º aniversário do Duelo de Barletta eu tive a oportunidade de reviver este evento que ainda hoje é tão importante para os habitantes locais.
Mas vamos começar pelo começo…
O cenário histórico do Duelo de Barletta

Naquela época o sul da Itália não era mais dos italianos. O Reino de Nápoles tinha sido dividido em partes iguais durante o Tratado de Granada assinado em 1500 pelo rei Luís XII da França e Fernando II de Aragão. No entanto o resultado não tinha sido o esperado. Espanhóis e franceses continuavam em clima de tensão em relação ao território que dividia os dois reinados e as batalhas eram frequentes até que os espanhóis conquistaram Barletta, uma cidade de grande importância comercial no Mar Adriático.
Pouco tempo depois, no dia 15 de janeiro de 1503, o general espanhol chamado Gonzalo Fernández de Córdoba y Aguilar, conhecido como o Grande Capitão, organizou um banquete na Cantina del Sole, hoje conhecida como Cantina della Sfida, com presença não só dos militares espanhóis mas também dos prisioneiros franceses (sim, naquela época os nobres prisioneiros eram convidados a banquetes!). E entre um copo de vinho daqui e outro dali, começou uma animada discussão que hoje é conhecida como “A ofensa“.
Da ofensa ao Duelo de Barletta
Um dos prisioneiros franceses chamado Charles de Tongue, conhecido como Monsieur de La Motte, começou a acusar os italianos de covardia. Sim, os italianos existiam e, vamos lembrar, faziam parte do exército espanhol que era quem comandava o território na época.
O espanhol Íñigo López de Ayala defendeu os italianos, afirmando que os soldados sob o seu comando podiam ser comparados aos franceses e tinham grande valor. Foi então que decidiram resolver a disputa com um duelo: no dia 13 de fevereiro com 13 cavaleiros para cada lado em um território neutro entre Andria e Corato, o campo de batalhas de S. Elia.
Foram estabelecidas as regras do combate: os cavalos e armas dos perdedores seriam trazidos aos vencedores como prêmio, além de o valor de cem ducados (uma antiga moeda). A batalha incluía ainda quatro juízes, dezesseis cavaleiros como testemunhas e dois reféns para cada lado.
Os 13 cavaleiros italianos

A batalha dos 13 cavaleiros franceses contra os 13 cavaleiros italianos foi cheia de emoção. Os franceses, certos de que venceriam o duelo, não levaram o prêmio que deveria ser entregue aos inimigos caso perdessem. E olha só: os franceses perderam. A glória ficou para os 13 cavaleiros italianos:
- Ettore Fieramosca
- Guglielmo Albamonte de Palermo
- Franceco Salamone de Sutera
- Giovanni Capoccio de Spinazzola
- Marco Corollario de Nápoles
- Giovanni Brancaleone de Genazzzano
- Ludovico Abenevoli de Capua
- Ettore Giovenale de Roma
- Bartolomeo Fanfulla de Lodi
- Romanello de Forli
- Pietro Riczio de Parma
- Mariano Abignente de Sarno
- Miale de Troia
Ettore Fieramosca foi lembrado por não ter se aproveitado da inferioridade tática do inimigo La Motte e desceu do seu cavalo para dar o chamado “golpe de misericórdia”.