Há 100 anos – 1922: Fascistas se mobilizam na Itália para tomar o poder das autoridades.
A ascensão do fascismo ao poder pela primeira vez aconteceu em 28 de outubro de 1922, quando milhares des seguidores de Benito Mussolini chegaram à capital italiana, episódio que passou à História como a “Marcha sobre Roma”. Atrás de 30 mil militantes, o criador da ideologia fascista entrou triunfalmente na cidade para derrubar o governo liberal de Luigi Facta e forçar sua própria nomeação como novo primeiro-ministro – o que acabou conseguindo. O movimento foi a semente germinada do primeiro Estado fascista no mundo.
No turbulento período que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, Mussolini organizou seus seguidores, a maior parte veteranos de guerra, nos chamados Fasci di Combattimento (literalmente, “feixes de combate”), grupos paramilitares que defendiam um nacionalismo agressivo, violentamente opostos ao comunismo e ao socialismo. Vestiam camisas negras como os seguidores de Gabriele D’Annunzio, o líder da efêmera República de Fiume (1919-1920). Em meio a greves, tensões sociais e a divisão parlamentar, Mussolini preconizava a restauração da ordem pela força, valendo-se da prática do terror com seus grupos armados.
Em 1921, o Partido Nacional Fascista ganhou inscrição e se organizou oficialmente e Benito Mussolini foi eleito para o parlamento. Respaldado pelos nacionalistas e pelos interesses dos grandes proprietários, Mussolini determina em 22 de outubro de 1922 que os fascistas marchem sobre Roma.
A marcha estabelece a primeira grande vitória do Partido Nacional Fascista e o fim da democracia liberal na Itália. Sob uma chuva torrencial, os milhares de simpatizantes do regime autoritário saíram de Nápoles e ocuparam a capital para reivindicar o poder. Facta, então primeiro-ministro, renunciou e, sem oferecer resistência, o rei Vitor Emanuel III convidou Mussolini para formar um novo governo.
O líder do golpe só partiu com destino a Roma um dia depois da tomada da capital, mas alardeava em seus discursos que havia participado de uma batalha sangrenta com 3 mil mortos. O conflito a que ele se referia jamais existiu, já que a ocupação de Roma foi pacífica. O rei permitiu que entrassem na cidade e chamassem Mussolini, que havia permanecido em Milão, para formar o novo gabinete. Três dias depois, Mussolini começou a compor seu ministério, com poderes absolutos.
Rumo à guerra
O fascismo se apresentava como uma ideologia totalitária que glorificava a Nação e atribuía ao Estado o controle de todos os aspectos da vida nacional, servindo-se de meios violentos para combater e neutralizar adversários. A expressão “fascismo” foi inicialmente usada por Mussolini para definir a ideologia que queria implantar, baseada nos feixes de trigo com o machado – símbolo do poder na República Romana na Antigüidade. Foi também aplicada a ideologias similares em outros países como, a do nazismo na Alemanha e o falangismo de Francisco Franco na Espanha.
Como premiê, Mussolini transformou gradualmente o governo numa ditadura. Em 1924, o deputado socialista Giacomo Matteotti foi assassinado. A oposição foi submetida a um intenso assédio pela policia política e pela milícia fascista. A imprensa foi regulamentada e submetida a censura. O governo parlamentarista cessou em 1928 e a economia passou a ser regida pelas linhas do Estado corporativo fascista, que incluíam a legislação do trabalho. O conflito com a Igreja foi resolvido com a assinatura do Tratado de Latrão, em 1929.
Mussolini era chamado pelo antigo título de Duce (“condutor” ou “líder”) por seus seguidores. Seu título oficial era “chefe de governo” com todos os poderes. Sua ambição era restaurar a antiga grandeza de Roma que encontrou expressão em seus grandiloquentes discursos e slogans e na construção de edifícios monumentais. O estímulo que deu à já alta taxa de natalidade italiana, seus desígnios imperialistas (materializados na invasão à Etiópia, em 1935) e o incitamento a um nacionalismo exacerbado foram criando, aos poucos, uma situação explosiva que fez a Itália se aproximar inevitavelmente da guerra.
Fonte Opera Mundi